Comunicado do núcleo de Sines sobre a inauguração da exposição sobre o 18 de Janeiro de 1934

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A comemoração do 18 de Janeiro de 1934 em Sines, constituiu um acontecimento de elevado significado político.

Com uma exposição documentada sobre a luta da classe operária contra a fascização dos sindicatos, que teve a sua expressão mais elevada com a greve geral na Marinha Grande e noutros pontos do país, entre os quais o centro operário de Sines, iniciou-se a comemoração do seu 74º aniversário que esteve patente no Centro de Artes até ao dia 3 de Março.

Foi inaugurada uma exposição com a presença de várias individualidades entre as quais os presidentes da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Sines, elementos da Direcção da URAP, da comissão do Núcleo de Sines da URAP, de trabalhadores e outros democratas de várias gerações interessados em conhecer diversos aspectos ligados aos acontecimentos de 18 de Janeiro de 1934.

Na cerimónia de inauguração da exposição, com 15 painéis, um dos quais sobre o acontecimento em Sines teve, em primeiro lugar, a intervenção do Presidente da Câmara salientando a forte acção repressiva do estado fascista, com o corte das liberdades fundamentais, numa perseguição crescente aos trabalhadores, aos democratas e à liberdade.

Interveio de seguida o sineense Américo Leal, único testemunho vivo presente no acto da inauguração, que apresentou, baseado no relato directo de trabalhadores que intervieram na organização e mobilização da Greve Geral em Sines, pessoas que conheceu e com quem conviveu directamente, envolvendo aspectos de grande riqueza histórica, cujo texto escrito entregou à Câmara Municipal de Sines e à URAP.

A intervenção de fundo, sobre o acontecimento histórico do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande e outros pontos do país, esteve a cargo do Coordenador da URAP, o conhecido antifascista Aurélio Santos, de que se salienta, entre outras passagens, a chamada de atenção para o período de grande crise social vivido na Europa nos anos 20, em que grandes grupos financeiros da indústria do aço, da energia e do armamento levaram ao poder, na Alemanha o partido nazi, e em Itália o partido fascista de Mussolini.

E é com a inspiração nesta maré reaccionária, que a vida económica e política passou a ser dominada pelo grande capital e que em Portugal surge o golpe militar fascista instaurando a ditadura salazarista, que o parlamento foi dissolvido, que os partidos políticos são proibidos, e que é iniciada a perseguição às organizações sindicais, aos seus dirigentes e aos democratas, num processo de ausência total de liberdades fundamentais, de repressão e de submissão ao grande capital.

Foi contra o Decreto-Lei nº 23050, em que o estado fascista declarou guerra ao movimento sindical, que os trabalhadores da Marinha Grande e de outros centros industriais, incluindo Sines, que os trabalhadores fizeram greve, como protesto contra o decreto que ilegalizava os sindicatos livres e impunha os sindicatos fascistas.

Com a inauguração da exposição em Sines, estamos a prestar homenagem aos antifascistas que, no dia 18 de Janeiro de 1934 se levantaram heroicamente contra o avanço da ditadura salazarista que, como em todas as que se seguiram contra o fascismo e pela democracia, não foi em vão.

Elas foram uma prova do papel de vanguarda dos trabalhadores na luta contra o fascismo e demonstram como, desde os primeiros anos da ditadura, essas lutas foram semeando os cravos que, 40 anos mais tarde, haviam de florir nas "Portas que Abril Abriu", como disse o poeta José Carlos Ary dos Santos.

São essas portas que não deixaremos fechar.

O núcleo de Sines da URAP