Declaração da FIR por ocasião dos 60 anos da NATO

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logo_fir60 anos de Nato - Não há razões para jubilo

Em Abril de 2009, a NATO quer celebrar o seu 60º aniversário de existência, em Estrasburgo.
A FIR (Federação Internacional de Resistentes) não vê, neste aniversário, nenhuma razão para celebrar, mas sim para reflectir sobre uma nova estratégia para a manutenção da paz na Europa e no Mundo.

É sobejamente conhecido que a NATO teve a sua origem no conflito este/oeste após o fim da Segunda Guerra Mundial. Esta confrontação destruiu não só a comunhão da coligação anti-Hitler, que libertou o mundo da maior ameaça da humanidade, como oprimiu a procura básica pela paz e forças anti-fascistas: Fascismo Nunca Mais! Guerra Nunca Mais!

A confrontação este/oeste, que conduziu a Coreia e mais tarde o Vietname para guerras, nas quais morreram milhões de pessoas, foi superada apenas gradualmente nos anos 70 por um novo sistema de segurança e cooperação na Europa (Processo - KSZE). O fim do Pacto de Varsóvia, no início dos anos 90, podia ter significado o fim do bloco militar NATO. 

Em vez de criar uma nova arquitectura de segurança a nível mundial sob a responsabilidade das Nações Unidas, os estrategas da NATO iniciaram a definição de novos campos de acção para esta aliança militar:

  • ü A NATO reclama para si a tarefa da Segurança do abastecimento de Matérias-prima. Para isso constroi bases por todo o mundo.
  • ü Lança uma campanha publicitária internacional contra o terrorismo, como se fosse possível combater o terrorismo com as suas raízes sociais com tropas convencionais.
  • ü Desempenha, desta forma, o papel de "Polícia do Mundo" (Em missões - "Out of area") sem as Nações Unidas e o Sistema Penal Internacional.

As consequências desta política são claramente reconhecidas na guerra contra a Jugoslávia, na acção militar no Afganistão e contra o Iraque - que definiram como "intervenções humanitárias".

Para além disso, a NATO acelera a militarização a nível mundial através do armamento. Os estados da NATO são responsáveis por 75% da despesa militar global.

Com a admissão de Estados da Europa Central e de Leste a esfera de influência da NATO foi deslocada em direcção à Rússia. Isto conduz-nos ao facto de que a antiga frente estratégica contra os estados socialistas é agora desenvolvida contra a Rússia.

A colocação planeada de um sistema de defesa anti-míssil na Polónia e República Checa intensifica as tensões mesmo na Europa.

Por isso a FIR não vê razões para celebrar esta estratégia da NATO. Parece-nos lógico, na ocasião do 60º aniversário, o surgimento de uma nova estratégia militar internacional que estabeleça uma arquitectura de Segurança Internacional, colocando a prioridade na resolução não-militar de conflitos sob a responsabilidade das Nações Unidas, contra a confrontação e criação de blocos. 

A nossa visão de um Mundo pacífico só pode ser atingido sem respostas militares às crises globais ou regionais - estão são parte do problema e não da solução.

A despesa militar tem que ser reduzida e desse modo os recursos que ficam disponíveis devem ser usados para a satisfação de necessidades humanas. Todas as bases militares estrangeiras devem ser encerradas.

Nós rejeitamos todas as estruturas militares, que são utilizadas para intervenções militares. As relações entre os povos têm que ser democratizadas e desmilitarizadas e devem ser estabelecidas novas formas pacíficas de cooperação, de modo a criar um mundo mais seguro e justo.

Nesta posição, a FIR, junta-se aos movimentos de paz mundiais na ocasião do aniversário da NATO.

 

Brussels/Berlin 2009-03-29