Câmara Municipal de Santa Comba Dão quer inaugurar Largo Salazar no dia 25 de Abril

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Comunicado à imprensa

quadro_salazar_depostoURAP condena novo branqueamento do fascismo e apela ao governo para impedir iniciativa da Câmara Municipal de Santa Comba Dão

A URAP - União de Resistentes Antifascistas Portugueses - não pode deixar de passar em claro mais uma grave provocação antidemocrática de louvor e branqueamento do fascismo que em 25 de Abril foi erradicado de Portugal.

Exactamente no dia em que a Revolução dos Cravos completa trinta e cinco anos a Câmara de Santa Comba Dão que, ao longo dos últimos anos, tem tentado realçar o regime fascista e a figura do seu principal responsável, o obscuro ditador António Oliveira Salazar, decidiu inaugurar uma obras na praça com o nome daquela sinistra personagem que, apoiado pelos esbirros da PIDE e da censura, amordaçou os portugueses, prendeu, e assassinou inúmeros cidadãos nas prisões políticas e no Campo de Concentração do Tarrafal.

O respectivo presidente da Câmara, João Lourenço, que insiste na sua determinação em afrontar o regime democrático tem, no entendimento da URAP, de ser chamado à responsabilidade uma vez que a Constituição da República impede a propaganda da ideologia fascista.

Depois de pretender criar um "Museu" e um discutível "Centro de estudos do Estado Novo" no claro intuito de, como não se cansa de afirmar, recordar a memória de Salazar, a direita no poder naquela vila, considera relevante umas obras num largo, que significativamente é conhecido por toda a população de Santa Comba, como o Largo da Praça, apesar de ostentar o nome do fascista Salazar.

 

A sua provocação chega ao extremo de salientar como "uma feliz coincidência" proceder à sua inauguração oficial no próprio dia em que o Povo Português, aliado ao patriótico Movimento das Forças Armadas, ter derrubado definitivamente o regime opressor que durante dezenas de anos se impôs pela força repressiva.

Esta lamentável iniciativa fascizante tem merecido a condenação unânime de todos os democratas pelo que a URAP apela ao Governo para que, em defesa da democracia e em nome de tantos milhares de resistentes perseguidos às ordens de Salazar e Caetano, impeça a referida inauguração que colide frontalmente com os preceitos constitucionais.

O Governo não pode pactuar com mais esta manifestação ilegal de propaganda fascista.

Lisboa, 23 de Abril de 2009                                                  

                                                                                   O Conselho Directivo da URAP