Intervenção de Encarnação Raminho na Homenagem aos Tarrafalistas a 13 de Março de 2010

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Amigos, Companheiros sócios da URAP

O fascismo existiu em Portugal durante 48 anos e este facto marcou a nossa existência como Povo, não devendo ser esquecido pelos portugueses que amam a liberdade.

Durante o domínio da ditadura fascista houve violências, masmorras, torturas, assassinatos. Milhares e milhares de antifascistas conheceram a prisão, alguns por dezenas de anos.

O fascismo em 1936 criou o Campo de Concentração do Tarrafal com a finalidade de assassinar os democratas mais combativos e, do mesmo modo, aterrorizar todo o Povo Português, que nunca se conformou com a opressão a que estava sujeito.

No Campo de Concentração do Tarrafal morreram 32 antifascistas e é em homenagem a esses combatentes da liberdade lá assassinados que surgiu a ideia de construir este monumento para nele serem colocados as ossadas dessas vítimas do fascismo. O monumento é ao mesmo tempo uma homenagem a todos os que, durante o fascismo se bateram pela Liberdade e contra a tirania.

As gerações futuras poderão saber que o fascismo existiu, assim como existiu o Campo de Concentração do Tarrafal, onde 340 antifascistas estiveram prisioneiros, somando as suas penas, um total de 2 mil anos, 11 meses e 5 dias de prisão.

Este Mausoléu de homenagem aos Tarrafalistas, foi construído com base numa subscrição nacional, apoiada por forças antifascistas e actuamente está à guarda da URAP, sendo a sua manutenção e conservação da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa.

Neste mesmo local e na homenagem aos heróicos tarrafalistas que a URAP organiza anualmente, para que este símbolo de luta e resistência não seja esquecido, o seu Conselho Directivo comprometeu-se a organizar uma visita guiada ao Campo de Concentração do Tarrafal. Hoje estamos aqui a dar-vos nota desta nossa iniciativa.

A visita decorreu de 30 de Abril e 6 de Maio/2009, por altura do encerramento do Simpósio Internacional levado a cabo pela Fundação Amílcar Cabral - exactamente no dia 1 de Maio de 2009, 35 anos passados sobre o encerramento definitivo do Campo.

Este evento era um objectivo antigo das anteriores Direcções da URAP, mas só em 2009 pode ser concretizado e nela participaram 40 antifascistas, entre sócios, familiares e amigos dos presos e da URAP.

Foi um acontecimento inolvidável e de grande significado político, tendo a delegação deslocado ao cemitério da vila do Tarrafal, onde restam apenas as lápides dos 32 heróicos antifascistas portugueses assassinados entre 1936/54 pelo fascismo português tendo sido depositada uma coroa de flores e proferida uma alocução de sentida homenagem aos 340 presos políticos que sofreram as inumanas condições do "Campo da Morte Lenta", sendo também lembrados os 236 presos políticos africanos que ali foram detidos e pertencentes aos movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas. Em uníssono foi gritado "FASCISMO E COLONIALISMO NUNCA MAIS".

Os 40 antifascistas portugueses assistiram depois à sessão de encerramento do Simpósio que decorreu num dos pavilhões do Campo, tendo sido lida uma saudação daquela delegação enaltecendo a luta comum que uniu os Povos de Portugal, Angola, Guiné e Cabo Verde.

Nas Conclusões do Simpósio consta a vontade de que o CAMPO DO TARRAFAL seja reconhecido como "Memorial Internacional de Luta pela Liberdade dos Povos" e a Assembleia-Geral da URAP realizada a 28 de Fevereiro/2010, assumiu o encargo, através da aprovação de uma moção aprovada por unanimidade e aclamação, de promover as acções que considerar conveniente para a participação do Povo Português e do Estado Português às iniciativas para concretização desse objectivo.

E para terminar a nossa intervenção expressamos a nossa sentida homenagem aos que na longa noite do fascismo foram portadores da chama da Liberdade, e pela Liberdade morreram.

A luta continua!...

 

Lisboa, 13 de Março de 2010