Arnaldo Mesquita - nota de pesar pelo seu falecimento

arnaldo_mesquita.jpgFaleceu em 1 de Janeiro do ano em curso Arnaldo Mesquita, destacado militante antifascista e sócio da URAP.

Por ocasião do seu falecimento a URAP publicou o seguinte comunicado:

«A URAP, tomou conhecimento com profunda comoção da morte de Arnaldo Mesquita.

A vida de Arnaldo Mesquita foi exemplo de grande resistente antifascista durante os anos mais difíceis da ditadura, como cidadão e como advogado. E foi também exemplo de combatente na luta contra as campanhas de branqueamento do fascismo e de mutilação da democracia conquistada pelo povo português com as jornadas de 25 de Abril.

Pela sua abnegação, pelo exemplo da sua vida, pela dimensão humana da sua personalidade, Arnaldo Mesquita ficará na nossa memória como exemplo de democrata e de antifascista.

Perante a sua memória a União de Resistentes Antifascistas Portugueses inclina a sua bandeira».

 

Um destacado resistente antifascista

Arnaldo Pereira de Oliveira Mesquita, nasceu a 16 de Janeiro de 1930, na freguesia de Torno, concelho de Lousada. Advogado de profissão, reside actualmente no Porto.

Enquanto estudante em Coimbra pertenceu à direcção do MUD Juvenil.

Aderiu ao Partido Comunista Português em 1949.

Foi preso três vezes pela PIDE.

Foi membro da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos.

Foi membro da Assembleia Municipal de Lousada, eleito nas listas da APU, FEPU e CDU. Em 2008 foi distinguido com a Medalha de Prata de mérito municipal daquela Câmara Municipal.

Em 9 de Maio de 2009 o Núcleo da URAP do Porto  prestou a Arnado Mesquita uma Homenagem pública. Por essa ocasião a URAP publicou uma entrevista sua, realizada em 2007, em uma apresentação introdutória se salientava «a espontaneidade patente no registo oral da entrevista, a sua personalidade sensível e combativa, o carácter vertical e uma inabalável firmeza de princípios.»

À pergunta: Porquê a actividade de advogado e em que condições sócio-políticas, respondeu «escolhi, aliás por indicação de meu pai, a profissão de advogado. Eu era anti-fascista e comunista já nesse tempo e sabia que, como professor (que era o que realmente eu desejava ser), não teria futuro nenhum, pois não me aceitariam; exigia-se (em funções públicas) que se assinasse a declaração anti-comunista, o que nunca faria, por isso decidi ser advogado.»

Em 15 de Fevereiro de 1972, em plena ditadura fascista, a Comissão dos Trabalhadores do Distrito do Porto salientava: «Na luta pelos Direitos do Homem no nosso país, um êxito feriu profundamente o aparelho repressivo dos anseios de liberdade do nosso povo. A alta estrutura moral do Dr. Arnaldo Mesquita, a sua muita competência profissional, aliadas à sua condição de homem intimamente ligada à luta dos que trabalham na construção duma sociedade justa.»

No seu livro intitulado EM TEMPO DE FASCISMO, Poesia, por ocasião do 1º de Maio de 1973, Arnaldo Mesquita escrevia:

«E vi então dois paisanos, dois pides/dgs
Levarem esse jovem, esforçado em apoucar-se:
Vou preso. Preso. Sem ter feito nada.-
Mas ouvi gritos dispersos, assobios, gritos
E vi a multidão tentar criar-se.»

Ao publicar o livro As Duas Vozes (2003) a Editorial "Avante!" salientava: Arnaldo Mesquita foi preso e torturado pela PIDE, e as alucinações que a tortura do sono lhe provocaram são relatadas no seu primeiro livro de poemas, intitulado Amanhã Virás.


A Câmara Municipal de Lousada publicou também vários livros de Arnaldo Mesquita. No prefácio de dois desses livros o Presidente da Câmara, Dr. Jorge Magalhães, escrevia:«O Dr. Arnaldo Mesquita, para além da sua notável intervenção cívica e política, possui, igualmente, um raro talento literário, uma vez mais confirmado nesta nova obra À Mulher, Companheira do Homem», publicado por ocasião do Dia Internacional da Mulher.

No livro Nascido no Monte, assinalava ainda:

«O poema é o sítio do desassossego, o farol do inconformismo, a esperança de todos os amanhãs que cantam. O Dr. Arnaldo Mesquita, fiel a si próprio, às suas convicções, aos seus ideais, surge, novamente, neste livro, o terceiro da sua autoria editado pela Câmara Municipal de Lousada, com a mesma energia indómita, em poesia telúrica, feita de combate e resistência, justiça e liberdade, paixão e revolta, saudade e ternura.»