Intervenção de Marília Villaverde Cabral no encerramento da AG da URAP

Intervenção de Marília Villaverde Cabral, no encerramento da Assembleia Geral da URAP, realizada a 28 de Março de 2015, na Biblioteca-Museu República e Resistência, em Lisboa

 

Caros Amigos,


Ao encerrarmos os trabalhos da nossa Assembleia Geral, cujo debate e aprovação de documentos nos ajudarão na luta pela defesa da Paz e da Liberdade, não podemos deixar também de aproveitar este momento para lembrar que Abril está perto e apelar à participação de todos nas manifestações do 25 de Abril e do 1º de Maio que deverão ser uma expressão do nosso grande descontentamento:

 

Pela fome que regressa a muitas casas dos portugueses, pelos desempregados, pelos trabalhadores precários, pelos jovens que emigram, porque o seu país lhes nega trabalho. Pelos reformados que trabalharam e descontaram uma vida inteira e vêm as suas pensões com cortes inadmissíveis.

 

Contra o ataque ao Serviço Nacional de Saúde, um dos melhores do Mundo e que sucessivos governos o vão liquidando, ao ponto de se chegar neste Inverno, à terrível desorganização nas urgências hospitalares, levando inclusive à demissão de várias administrações.

 

À degradação da Escola Pública, também ela uma grande conquista de Abril e que professores, pais e alunos viram iniciar-se o ano escolar, numa balbúrdia tremenda, com escolas sem professores e professores sem escolas.

 

Pelo fecho de tribunais, pela ofensiva contra a contractação colectiva e outros direitos conquistados pelos trabalhadores ao longo de décadas.

 


E como se esta situação não bastasse, todos os dias nos chegam notícias que parecem inacreditáveis: um primeiro ministro que se esquece de pagar impostos, um secretário de estado que orgulhosamente diz não saber o que se passa no seu ministério, quando confrontado acerca da célebre lista vip, uma ministra das finanças que, com um ar feliz, diz que tem os cofres cheios de notas, enquanto os portugueses vão apertando o cinto cada vez mais.

 

E vão vendendo, privatizando alavancas fundamentais da nossa Economia. E não se demitem. E o presidente da República continua a pactuar descaradamente com o Governo. Enquanto não se renegociar a dívida e os juros, mantemos um garrote que impossibilita o nosso desenvolvimento.

 

Esta política só serve os interesses do grande capital e está a arrastar o nosso país para uma situação cada vez mais caótica. Esta política, de facto, não serve e, mais cedo ou mais tarde, terá de ser derrotada.

 

Mas se todos os dias nos chegam notícias aberrantes por parte deste Governo, também todos os dias nos chegam notícias de que os trabalhadores e o povo não se rendem. Estes últimos tempos têm sido tempos de luta intensa e de algumas vitórias.

 

Veja-se o caso da luta contra as 40 horas, de reformados do Metro em que o tribunal decidiu que a Administração será obrigada a repôr complementos das reformas que lhes tinham sido roubadas.

 

Estes são pequenos exemplos que incentivam a continuar a luta, porque lutar vale sempre a pena.
Não podemos passar o dia de hoje, sem saudar os jovens que, nesta mesma hora, estão na rua, a manifestar também o seu descontentamento, a sua revolta pelo que lhes estão a tirar e exigindo que não lhes queimem os seus sonhos, pois têm o direito a trabalhar, viver e ser felizes no seu país.
São as lutas, umas pequenas, outras maiores que, como a experiência do passado nos ensina, acabarão por alterar esta política e trazer de novo o que conquistámos com o 25 de Abril.

 


A URAP não pode ficar indiferente a toda esta situação e continuará, na medida das suas possibilidades, a juntar-se aos que aspiram a um Portugal e a um Mundo melhor.

 

Contamos convosco, Amigos.