Intervenção de José António Amador, no convívio de ex-presos e amigos em defesa do Forte de Peniche

Intervenção de José António Amador, cidadão de Peniche, no convívio de ex-presos e amigos em defesa do Forte de Peniche

 

29 de Outubro de 2016

 

 

Queremos lembrar a todos o que foi a Solidariedade da população de Peniche durante anos e anos com as famílias e amigos de presos antifascistas.

 


Particularmente importante foi a solidariedade de quando das lutas dos presos políticos, como em 1952 quando a população de Peniche chamada por mulheres de presos políticos protestou à Frente da Fortaleza por melhores condições prisionais. A GNR carregou sobre a população e prendeu as mulheres de presos, Virgínia Moura, Olinda Rodrigues e Palmira de Sousa.


Em 1963 quando os presos recusando o rancho gritavam junto às grades das celas e salas: Queremos comida! Temos Fome! A População juntava-se no terreno frente à Fortaleza inquirindo sobre o que se estava a passar.


Extraordinária foi também a Solidariedade do povo de Peniche que apercebendo-se da grande fuga de Janeiro de 1960, durante a execução se calaram, permitindo que todos chegassem às casas que lhe estavam destinadas sem correr qualquer risco.


Também foi a solidariedade de Pescadores, que permitiram que Dias Lourenço aquando da fuga do segredo, numa noite de Dezembro em 1954 pudesse sair de Peniche com sucesso.


Outra forma de solidariedade foi prestada por algumas famílias nomeadamente de pescadores que recebiam em suas casas mulheres, mães e filhos de presos para assim numa deslocação a Peniche puderem visitar os seus maridos, filhos e país mais um ou outro dia.


A manifestação da População logo a partir da manhã de dia 25 de Abril é bem testemunho como o povo de Peniche, encarava ter na sua terra uma Prisão Política de Alta segurança.


O Governo em relação ao Forte de Peniche deve é preserva-lo como Património Nacional e o mais importante símbolo quer da opressão e repressão fascista, quer da resistência e da luta pela Liberdade e Democracia.


E cuja memória pode e deve ser preservada sem recurso a Privados.


Não vamos deixar esquecer que o Fascismo existiu e que dentro as muralhas desta fortaleza, milhares de presos pagaram um pesado tributo para que o povo português vivesse livremente, é um forma de hoje estarmos aqui a prestar uma justa homenagem às vítimas do fascismo e de alertar para a necessidade de manter viva a luta pela Liberdade.


Viva a Liberdade
Viva o Forte de Peniche