Reunião de ex-presos políticos, familiares e amigos sobre Forte de Peniche- Comunicado


Comunicado
26 de Janeiro de 2017


logo Forte Peniche defesa da memoriaEx-presos políticos em Peniche, familiares e amigos de outros presos, democratas de diversos quadrantes e promotores da petição «Forte de Peniche- Defesa da Memória, Resistência e Luta» que foi entregue em 5.10.2016 na Assembleia da República com 9.600 assinaturas, reunidos em Lisboa, em 26.1.2017, sob a égide e por iniciativa da URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses:


Valorizam o amplo e poderoso movimento de opinião que, com diversas expressões, rapidamente se ergueu contra o propósito da concessão a privados para fins de exploração hoteleira da fortaleza de Peniche numa importante manifestação de apego aos valores da liberdade e da democracia e de consciência colectiva do imperecível lugar da resistência antifascista na história do Século XX português.


Registam de forma no essencial positiva as informações recebidas sobre os desenvolvimentos entretanto ocorridos sobre este assunto em resultados dos múltiplos contactos com as instituições democráticas, com a autarquia local e com diversos departamentos de Estado.


Nesta fase do processo, e em plena abertura ao diálogo com outras ideias e propostas, entendem formular publicamente três ideias fundamentais que, em seu entender, deviam orientar os projectos e trabalhos de reabilitação, melhoramento e reconversão da Fortaleza de Peniche :

 

Assentarem numa concepção geral que respeite sempre a Fortaleza como um todo e que integre harmoniosamente quer a componente de lugar especial de memória de resistência e de luta antifascista, quer a componente da história multicentenária da própria fortaleza quer ainda, e imprescindivelmente, a componente da cultura e património da cidade e região de Peniche e do seu povo e que inclua um numeroso e moderno conjunto de valências (centros interpretativos, salas de exposições e projecção, serviços de apoio aos visitantes).

 

Garantirem a preservação de todo o património edificado, o que implica a expressa recusa da demolição de qualquer dos três blocos prisionais (os denominados A, B e C) e o afastamento definitivo de projectos de exploração hoteleira que são manifestamente incompatíveis com aquele lugar enquanto espaço de celebração de uma dorida memória histórica mas que certamente seriam bem-vindos e úteis ao concelho em outras atraentes localizações de que este dispõe.

 

Ainda que de uma forma eventualmente faseada, considerarem essencial a instalação no Forte de Peniche de um verdadeiro Museu da Resistência e da Liberdade, dando entretanto máxima urgência e prioridade à instalação, por razões de impacto e simbolismo, ao ar livre e na zona central e frontal aos pavilhões, de um Memorial com os nomes dos cerca de 2500 antifascistas que estiveram presos na Cadeia de Peniche.

 

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Finalmente, apelam a todos os democratas e a todos os cidadãos e cidadãs que entendem que o amor da liberdade e da democracia nos dias de hoje não pode florescer e fortalecer-se sobre a rasura dos sofrimentos que custou a sua conquista para que, sob as mais diversas formas, continuem a bater-se para que se cumpram as justas expectativas criadas e a apoiar as iniciativas e acções agregadas em torno da ideia comum «Forte de Peniche – Defesa da memória, resistência e Luta».