A Tocha da FIR chega a Portugal a 29 de Janeiro e inaugura as comemorações na Cidade do Porto, onde de manhã ocorrerá uma sessão-aula para alunos da Escola Secundária de Gondomar e da parte da tarde dá-se às 17h a recepção da Tocha na Praça da Liberdade e subsequente partida para os Fenianos, onde ocorrerá uma Sessão Pública alusiva ao 70º aniversário da II Guerra Mundial.

No dia 30 de Janeiro a tocha dirigir-se-á à cidade de Aveiro, onde ocorrerá uma sessão-debate na Escola Secundária de Vagos.

O concelho da Moita receberá a tocha no dia 31 de Janeiro, no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, perante uma plateia de desportistas.

 

A 1 de Fevereiro a Tocha rumará a Peniche onde (até dia 1 de Fevereiro), com a colaboração da Câmara Municipal de Peniche, sob o lema "Tocha da Liberdade em Peniche – 70º aniversário do final da 2ª Guerra Mundial" vão ocorrer diversas iniciativas tais como uma sessão de poesia na Escola Secundária de Peniche (dia 30, pelas 21:30h), uma visita à fortaleza de Peniche (com recepção da tocha pelas 10:30h de dia 1 de fevereiro), a inauguração de exposições (com destaque para a exposição "70º aniversário do fim da 2ª Guerra Mundial e da vitória sobre o nazi-fascismo", organizada pela URAP e patente até 5 de Abril, na fortaleza de Peniche) e o percurso da Tocha da Liberdade pelo concelho de Peniche (com a participação e colaboração do "Berlengas Bike Team, da Associação Recreativa, Cultural e Desportiva de Ferrel e do "Vespas Clube do Oeste").

Posteriormente até dia 5 de Fevereiro a Tocha percorrerá a cidade de Grândola, a cidade de Loures e na Freguesia de Alhandra, onde a URAP contará com o apoio das Câmaras Municipais de Grândola e de Loures e a União de Freguesias de Alhandra.

No dia 6 de Fevereiro, a Tocha estará na Cidade do Barreiro onde, com a colaboração da Câmara Municipal, da parte da manhã passará por várias zonas operárias do Concelho, sendo depois colocada no largo do mercado 1º de Maio (pelas 10h) onde posteriormente vai decorrer uma pequena sessão solene (pelas 10:05h) e um conjunto de outras actividades que se prolongam até à tarde, momento em que (pelas 15h) decorrerá no espaço J uma sessão-conversa dedicada à Paz e aos 70 anos do fim da II Guerra Mundial, terminando este dia no Cineclube do Barreiro com um Filme sobre a II Guerra Mundial seguido de debate.

Posteriormente é a vez do Seixal a 7 de Fevereiro receber a Tocha da Paz (onde com o apoio da respectiva Câmara Municipal, se inaugurará uma exposição da URAP, haverá o início de um ciclo de cinema e uma sessão-debate) e de Setúbal, a 8 de Fevereiro (contando também com o apoio da respectiva Câmara Municipal).

Entre 10 e 11 de Fevereiro é a vez da cidade de Almada receber a Tocha da FIR, onde com o apoio da Câmara Municipal de Almada estão previstas diversas iniciativas, sendo de destacar a recepção oficial da Tocha nos Paços do Concelho (pelas 10h), o percurso pelas 11 freguesias do concelho e uma sessão solene de encerramento (pelas 21h) no Fórum Romeu Correia.

Finalmente este périplo culminará a 12 de Fevereiro de 2015 na Cidade de Lisboa, onde com a colaboração da União de Sindicatos de Lisboa, ACCL, Voz do Operário, da Casa do Alentejo, do CPPC e de outras organizações, onde haverá, entre outras coisas, uma recepção da Tocha no Rossio, seguida de um cordão humano e que culminará com uma sessão de encerramento das actividades da Tocha da Paz e da Liberdade/FIR, a realizar no Rossio.

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Intervenção na Homenagem aos Tarrafalistas assassinados do Campo de Concentração do Tarrafal, realizada a  27 de Setembro de 2014, no Cemitério Alto de São João, por Ana Pato, do Conselho Directivo da URAP

 

 

O campo de concentração do Tarrafal foi aberto em 1936 pelo fascismo português. Salazar – esse, cuja imagem pretendem reabilitar e, com isso, esconder que aquilo que aconteceu foi uma ditadura – assinou o decreto da sua abertura.

O campo era «um rectângulo de arame farpado, exteriormente contornado por uma vala de quatro metros de largura e três de profundidade». «Está encravado numa planície que o mar limita pelo poente e uma cadeia de montes por Norte, Sul e nascente». Lá dentro, «quatro barracões sem higiene, algumas barracas de madeira, nas quais estão instaladas as oficinas e o balneário, uma cozinha, sem condições de asseio, e algumas árvores». «A falta de vegetação, os montes escarpados, o mar e o isolamento a que os presos estão submetidos, dão à vida, aí, uma monotonia que torna mais insuportável o cativeiro». Havia também «os castigos e os enxovalhos, os trabalhos forçados, as doenças e a morte de alguns companheiros». Esta descrição é de Pedro Soares, um dos seus sobreviventes.

No campo, foram assassinados 32 antifascistas portugueses. Estamos aqui hoje para os relembrar e homenagear. E, através deles, queremos homenagear também todos os homens e mulheres que dedicaram a sua vida ao combate pela democracia e contra todas as formas de opressão.

Em 18 de Outubro de 1936, partiram de Lisboa os primeiros 152 detidos, entre os quais se contavam participantes do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande e alguns dos marinheiros que tinham participado na Revolta dos Marinheiros ocorrida a bordo de navios de guerra no Tejo, em 8 de Setembro daquele ano de 1936.
Queremos deixar aqui uma palavra especial para o nosso companheiro José Barata, ex-tarrafalista e membro fundador da URAP, que faleceu, aos 97 anos, no passado dia 7 de Junho. José Barata, mandado aos 20 anos para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde permaneceu durante 11 anos, era o único sobrevivente da Revolta dos Marinheiros.

A primeira fase do Campo do Tarrafal durou 19 anos. Durante esse período, encarcerou 352 presos. A soma do seu tempo de prisão ultrapassa 2000 anos.

O campo encerrou em 1954, na sequência de pressão nacional e internacional, num período em que, com a derrota do nazi-fascismo alemão e italiano, se impunham mudanças na aparência de um mesmo conteúdo essencial. Mas reabriu 1961, desta vez destinado aos lutadores pela independência das colónias portuguesas.

Para o ano, comemoram-se os 70 anos do fim da 2ª Guerra Mundial. Os povos impediram o avanço do domínio nazi-fascista sobre o mundo.
A FIR (Federação Internacional dos Resistentes) está a promover a passagem de uma tocha por vários países – a Tocha da FIR - Embaixadora da Liberdade –, com o objectivo de assinalar esta efeméride e combater fenómenos neo-fascistas. Ao ter conhecimento desta iniciativa, a direcção da URAP decidiu que ter a Tocha em Portugal, símbolo da luta pela Paz e pela Liberdade, enriqueceria as comemorações que tencionava levar a cabo e, assim, está decidida a sua permanência em Portugal de 2 a 15 de Fevereiro de 2015.
Autarquias, colectividades e professores têm vindo a mostrar interesse em colaborar com a URAP nestas comemorações, estando previsto que a Tocha percorra várias terras do país, onde será recebida em escolas e outras instituições.

Companheiros,

A ditadura salazarista sobreviveu à derrota de Hitler e Mussolini, frustrando grandes esperanças de democratas portugueses, e o Campo de Concentração do Tarrafal continuou a funcionar e a serem assassinados resistentes antifascistas, em grande parte devido ao apoio que lhe foi dado pelos principais países capitalistas, as chamadas democracias ocidentais.

Preservar a memória, combater o branqueamento da história denunciando o que foi o fascismo em Portugal e no mundo são tarefas dos dias de hoje e que perspectivam o futuro.

É crucial reconhecer os traços de fascismo qualquer que seja a sua aparência, o seu tempo e o seu lugar. O que é fundamental é reconhecer que o fascismo, nos seus aspectos essenciais e determinantes, é inerente ao próprio sistema social em que vivemos, o qual assenta na exploração, na guerra e na opressão e que visa impor pela força políticas que de outra forma não poderiam ser aplicadas.

Assistimos hoje a uma escalada de guerra e violência no Médio Oriente. O povo palestino está a ser esmagado no seu próprio território pelo Estado Israelita com o apoio e conivência dos EUA e UE. Na Ucrânia, forças de carácter neo-nazi tomam o poder e tentam ilegalizar o Partido Comunista. No nosso país, a pobreza e o desemprego alastram.
Não há uma verdadeira democracia se for negada a paz e a soberania a um povo. Não há democracia se não se puder ir à escola e ter acesso a cuidados de saúde e à justiça. Não há democracia se não se tiver um salário digno e uma casa para viver. Essa é a falsa democracia. Falsa porque não é a democracia para todos, mas apenas para os grupos económicos poderem ter a liberdade de controlar os Estados, fazer a guerra e explorar os povos e os recursos naturais. Tudo em nome do lucro.

Perante isto, é também fundamental reconhecer o que a própria história nos ensinou. É que, muito embora haja recuos, e às vezes regressões muito profundas, o curso da história é sempre em frente. E a história, nomeadamente a história do nosso país, ensina-nos também que é na união de um povo, na união de todos os verdadeiros democratas, que reside a sua força e capacidade de transformação. E a união faz-se também através da participação em organizações como a URAP.

As coisas estão más. Mas não vão ficar sempre assim.
Assim o sabiam aqueles que, como estes tarrafalistas, resistiram, lutaram e acabaram por vencer o fascismo (apesar de nem todos o terem podido testemunhar). Daí a sua coragem. Eles sabiam que, um dia, os vencedores seriam eles. Já o eram, porque não se deixaram quebrar.
Assim o sabemos nós porque conhecemos o seu exemplo e transportamos o seu testemunho com as nossas novas forças.

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Intervenção de Marília Villaverde Cabral, coordenadora da URAP, por ocasião da atribuição de galardão à URAP, pela Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura Recreio e Desporto

 

Senhor Presidente,

Senhores Dirigentes da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura Recreio e Desporto.

Senhores Dirigentes Associativos, Minhas Senhoras e Meus Senhores.

Encarregou-me o Conselho Directivo da URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses de agradecer o Galardão que muito nos honra e saudar, neste Dia das Colectividades, uma Organização que congrega Associações que datam dos fins do século XVIII, princípios do século XIX e que ao longo dos anos têm dado um contributo inestimável em prol da cultura e da vivência cívica.

Mesmo no período da ditadura fascista, as Colectividades não só mantiveram as suas actividades culturais e recreativas, como até as desenvolveram. Foram também polos de grande resistência antifascista.
Mesmo antes do 25 de Abril, as Colectividades tinham já, na sua vida
Interna, uma prática de democracia e liberdade.

A URAP, nestes 40 anos do 25 de Abril, tem-se esforçado também por dar o seu contributo para que se não esqueça o que foi o fascismo, as prisões , as torturas, mas também do que foi a Resistência. Numa luta contra o esquecimento : para que as jovens gerações saibam que, para termos Hoje Liberdade, muitos homens e mulheres entregaram a sua vida à causa da Democracia. Com uma Exposição e organizando sessões em escolas, temos percorrido o País de Norte a Sul, em colaboração com Professores e Câmaras Municipais. Vamos continuar! Porque os livros escolares e os programas não contam aos jovens o que custou a Liberdade.

Mais uma vez, os nossos agradecimentos pelo Galardão com que, generosamente nos distinguiram, desejando bons êxitos nos vossos trabalhos, que continuam a ser Hoje um valioso elemento de emancipação das populações.

Bem Hajam
Marília Villaverde Cabral

31/05/2014

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Tributo aos Mártires da Liberdade do Século XX
"Do Heroísmo à Firmeza ( 1934/1974) " – percursos na memória da casa da Pide, no Porto

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ABAIXO ASSINADO

EX.MO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA
EX.MA SENHORA PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
EX.MO SENHOR PRIMEIRO MINISTRO
A TODOS OS GRUPOS PARLAMENTARES

Uma cidade, como o Porto, com longa história e robustez de carácter, tem inúmeros pontos de identidade, de confronto e desafronta. Muito do destino português tem passado pelas suas gentes e ruas. Na construção da vida colectiva , e remeter-nos-emos somente aos dois últimos séculos, o Porto tomou frequentemente a dianteira: Revolução Liberal (1820), Cerco do Porto (1832-1833 ) , Revolta do 31 de Janeiro ( 1891) e pagou o preço da pronúncia do Norte.

Durante a ditadura (1926-1974), o primeiro levantamento de monta (13-2-1927 ) saldou-se em 200 portuenses mortos, na maioria civis, abatidos a tiro de canhão. Destacando algumas gigantescas acções populares, lembraremos a celebração da Vitória dos Aliados ( 1945 ) , o comício de apoio ao General Norton de Matos ( 1949), a recepção ao General Humberto Delgado (1958) , que abalaram os alicerces do regime. Com óbvios motivos para desconfiar da Cidade da Liberdade e do Trabalho , as forças ditatoriais estabeleceram um centro de vigilância e repressão ( 1934) na Rua do Heroísmo, 329. Até à Revolução de Abril de 1974, funcionou ali a Polícia Política, sob três nomes: PVDE, PIDE, DGS. Nestas instalações, cerca de 7600 cidadãos sofreram detenções arbitrárias, a tortura do sono, torturas físicas e psicológicas. Dois presos foram assassinados : Joaquim Lemos de Oliveira, barbeiro, de Fafe; Manuel da Silva Júnior, operário, de Viana do Castelo. Rosa Casaco, chefe de brigada que matou o General Sem Medo e a sua secretária, foi o último director da masmorra.

A partir da década de oitenta, encetaram-se diligências no sentido de se proceder, desde logo, à identificação e classificação do edifício, a fim de que fosse considerado de interesse público. Após repetidas petições, intervenções públicas, sensibilizações, o Governo Civil acedeu a colocar uma lápide (2004) : " Homenagem do Povo do Porto aos Democratas e Antifascistas que neste edifício foram humilhados e torturados " A chama da evocação deste lugar continuou a ser mantida por alguns movimentos, integrando personalidades de distintos quadrantes, para além de ex-presos e seus familiares.

Particularmente nos últimos seis anos , a URAP assumiu uma obstinada defesa deste sítio , enquanto símbolo de resistência, de coragem, de denúncia, de pedagogia cívica. Para o efeito, com a compreensão de várias Direcções do Museu Militar, organizaram-se visitas guiadas, promoveram-se exposições de livros, palestras e sessões cinematográficas. Programa ocasional. As recordações desta casa reclamavam um dispositivo que, sem colidir com o espólio museológico, introduzisse uma sinalética nas salas, nos corredores, nas escadarias, nas celas. O Arquitecto Mário Mesquita, docente da UP, elaborou um projecto, com suporte orçamental ( 2009), reconhecido por várias entidades como de grande mérito técnico, para além de não implicar qualquer custo para a instituição. O documento, intitulado " Do Heroísmo à Firmeza– percursos na memória da casa da PIDE, no Porto ( 1934-1974 " prevê não só um percurso expositivo, mas o recurso a fontes documentais: normas de serviço internas, entrevistas a presos políticos, registo geral de presos, bibliografia com memórias, fotografias, objectos da vivência prisional, lista de alimentos, notícias dos jornais, gravações áudio e vídeo. O projecto aponta para o estabelecimento de parcerias, havendo a realçar a adesão imediata da Direcção Geral dos Arquivos ( Torre do Tombo ). Para facultar todas as explicações sobre a compatibilização desta valência com o compromisso museológico, houve sucessivas reuniões com a hierarquia militar da área. Os acolhedores do projecto chegaram a anunciar aos promotores e parceiros ( URAP, Arq. Mário Mesquita, DGARQ) a sua aprovação. Transcorreu, depois, um interregno de ambiguidades e silêncios de gaveta. Solicitada uma resposta formal, a URAP tomou nota de um despacho : não considerava oportuna a implementação do projecto.

Dado que o País e o Porto se preparam para comemorar os 40 anos da Revolução dos Cravos e da libertação dos presos políticos, os subscritores apelam às entidades competentes para que reconsiderem a oportunidade de dotar a Cidade e o Norte de um memorial que levante do esquecimento milhares de vítimas do fascismo.

A dignidade portuense e nacional, o respeito por tantos Mártires da Liberdade do Século XX, a imagem de uma democracia de verdade – exigem esse tributo.

Não permitamos que se ocultem as Memórias do Cárcere !

Fevereiro de 2014

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