Intervenção Marília Villaverde Cabral, no convívio de ex-presos e amigos em defesa do Forte de Peniche

Intervenção de Marília Villaverde Cabral, Coordenadora do Conselho Directivo da URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses Encontro - Convívio de Ex Presos Políticos, Familiares e Amigos

 

Forte de Peniche 29 de Outubro de 2016

 

Em nome do Conselho Directivo da URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses, saúdo todos os queridos companheiros presentes, mas permitam-me que faça uma saudação muito especial aos homens que, pelo seu amor à Liberdade e ao seu Povo, aqui passaram anos das suas vidas, nestas masmorras do Forte de Peniche.


A URAP, logo após ser conhecida a decisão do Governo de concessionar o Forte a entidades privadas, não só tomou posição pública contra esta decisão, como imediatamente, se juntou à onda de protesto dos democratas, dos antifascistas, que não aceitam esta decisão, divulgando a Petição Pública, Forte de Peniche, Defesa da Memória, Resistência e Luta, ajudando a mobilizar para que este Encontro - Convívio fosse um grande ponto de encontro e de vontades para que este Museu da Resistência não seja descaracterizado, mas, pelo contrário, com um maior investimento, seja mais valorizado.


A URAP, através do Protocolo com a Câmara de Peniche que dura há anos e que que foi renovado no último 25 de Abril, numa cerimónia aqui, neste mesmo local, tem organizado visitas de estudantes e seus professores, a maior parte das vezes, acompanhados por vós, companheiros, que aqui estiveram presos. Aqui se têm contado aos jovens, como era o dia a dia na prisão, as torturas a que os presos eram sujeitos , as extraordinárias fugas, que nos parecem inacreditáveis, dos que fugiam sim, mas para continuar a luta.


Aqui estiveram também 100 jovens, num grande convívio, após a visita que fizeram ao Campo de Concentração de Auschwitz, organizado pela URAP, a convite da FIR – Federação Internacional de Resistentes, da Organização de Veteranos da Bélgica e da Fundação Auschwitz.


A URAP, companheiros, herdeira da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, vai tudo fazer para que este Forte, onde tanto se sofreu, possa ser um Museu que seja também ponto de encontro para todos aqueles jovens que procuram enriquecer as suas teses de mestrado e doutoramento, sobre a Memória destes anos negros do Fascismo. Jovens que, com o seu trabalho, não deixam que esta parte da História, com os seus heróis, seja esquecida.


A URAP tem contribuído para que a História não seja esquecida: em colaboração com a Câmara Municipal de Peniche, fez-se um levantamento do nome de todos os presos que aqui estiveram e há uma decisão da Câmara e da Assembleia Municipal de inaugurar, no 25 de Abril, um monumento em sua homenagem.

No Porto, o levantamento dos nomes também já está feito e trabalhamos agora para o levantamento dos presos que passaram pelos Fortes de Angra do Heroísmo. Temo-nos esforçado para que se perpetuem monumentos, que foram prisões políticas, como o projecto museológico da Pide no Porto, onde, após um protocolo com o Ministério do Exército, o nosso Núcleo já está a avançar.

A visita ao Forte de S. João Baptista e do Castelinho, em Angra do Heroísmo, onde foi colocada uma lápide pela URAP e pela Câmara Municipal. E ontem, recebemos a notícia de que foi aprovado, por unanimidade, o Protocolo URAP – Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.

 


Aqui, vamos também continuar a lutar pela preservação do Forte de Peniche, como símbolo da repressão e da resistência antifascista e, assim, honraremos os tarrafalistas, os marinheiros insubmissos, todos os presos políticos e outros antifascistas, homens e mulheres que há 40 anos fundaram a URAP e de cuja herança, tanto nos orgulhamos.