Intervenção na Homenagem aos Tarrafalistas assassinados do Campo de Concentração do Tarrafal, realizada a  27 de Setembro de 2014, no Cemitério Alto de São João, por Ana Pato, do Conselho Directivo da URAP

 

 

O campo de concentração do Tarrafal foi aberto em 1936 pelo fascismo português. Salazar – esse, cuja imagem pretendem reabilitar e, com isso, esconder que aquilo que aconteceu foi uma ditadura – assinou o decreto da sua abertura.

O campo era «um rectângulo de arame farpado, exteriormente contornado por uma vala de quatro metros de largura e três de profundidade». «Está encravado numa planície que o mar limita pelo poente e uma cadeia de montes por Norte, Sul e nascente». Lá dentro, «quatro barracões sem higiene, algumas barracas de madeira, nas quais estão instaladas as oficinas e o balneário, uma cozinha, sem condições de asseio, e algumas árvores». «A falta de vegetação, os montes escarpados, o mar e o isolamento a que os presos estão submetidos, dão à vida, aí, uma monotonia que torna mais insuportável o cativeiro». Havia também «os castigos e os enxovalhos, os trabalhos forçados, as doenças e a morte de alguns companheiros». Esta descrição é de Pedro Soares, um dos seus sobreviventes.

No campo, foram assassinados 32 antifascistas portugueses. Estamos aqui hoje para os relembrar e homenagear. E, através deles, queremos homenagear também todos os homens e mulheres que dedicaram a sua vida ao combate pela democracia e contra todas as formas de opressão.

Em 18 de Outubro de 1936, partiram de Lisboa os primeiros 152 detidos, entre os quais se contavam participantes do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande e alguns dos marinheiros que tinham participado na Revolta dos Marinheiros ocorrida a bordo de navios de guerra no Tejo, em 8 de Setembro daquele ano de 1936.
Queremos deixar aqui uma palavra especial para o nosso companheiro José Barata, ex-tarrafalista e membro fundador da URAP, que faleceu, aos 97 anos, no passado dia 7 de Junho. José Barata, mandado aos 20 anos para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde permaneceu durante 11 anos, era o único sobrevivente da Revolta dos Marinheiros.

A primeira fase do Campo do Tarrafal durou 19 anos. Durante esse período, encarcerou 352 presos. A soma do seu tempo de prisão ultrapassa 2000 anos.

O campo encerrou em 1954, na sequência de pressão nacional e internacional, num período em que, com a derrota do nazi-fascismo alemão e italiano, se impunham mudanças na aparência de um mesmo conteúdo essencial. Mas reabriu 1961, desta vez destinado aos lutadores pela independência das colónias portuguesas.

Para o ano, comemoram-se os 70 anos do fim da 2ª Guerra Mundial. Os povos impediram o avanço do domínio nazi-fascista sobre o mundo.
A FIR (Federação Internacional dos Resistentes) está a promover a passagem de uma tocha por vários países – a Tocha da FIR - Embaixadora da Liberdade –, com o objectivo de assinalar esta efeméride e combater fenómenos neo-fascistas. Ao ter conhecimento desta iniciativa, a direcção da URAP decidiu que ter a Tocha em Portugal, símbolo da luta pela Paz e pela Liberdade, enriqueceria as comemorações que tencionava levar a cabo e, assim, está decidida a sua permanência em Portugal de 2 a 15 de Fevereiro de 2015.
Autarquias, colectividades e professores têm vindo a mostrar interesse em colaborar com a URAP nestas comemorações, estando previsto que a Tocha percorra várias terras do país, onde será recebida em escolas e outras instituições.

Companheiros,

A ditadura salazarista sobreviveu à derrota de Hitler e Mussolini, frustrando grandes esperanças de democratas portugueses, e o Campo de Concentração do Tarrafal continuou a funcionar e a serem assassinados resistentes antifascistas, em grande parte devido ao apoio que lhe foi dado pelos principais países capitalistas, as chamadas democracias ocidentais.

Preservar a memória, combater o branqueamento da história denunciando o que foi o fascismo em Portugal e no mundo são tarefas dos dias de hoje e que perspectivam o futuro.

É crucial reconhecer os traços de fascismo qualquer que seja a sua aparência, o seu tempo e o seu lugar. O que é fundamental é reconhecer que o fascismo, nos seus aspectos essenciais e determinantes, é inerente ao próprio sistema social em que vivemos, o qual assenta na exploração, na guerra e na opressão e que visa impor pela força políticas que de outra forma não poderiam ser aplicadas.

Assistimos hoje a uma escalada de guerra e violência no Médio Oriente. O povo palestino está a ser esmagado no seu próprio território pelo Estado Israelita com o apoio e conivência dos EUA e UE. Na Ucrânia, forças de carácter neo-nazi tomam o poder e tentam ilegalizar o Partido Comunista. No nosso país, a pobreza e o desemprego alastram.
Não há uma verdadeira democracia se for negada a paz e a soberania a um povo. Não há democracia se não se puder ir à escola e ter acesso a cuidados de saúde e à justiça. Não há democracia se não se tiver um salário digno e uma casa para viver. Essa é a falsa democracia. Falsa porque não é a democracia para todos, mas apenas para os grupos económicos poderem ter a liberdade de controlar os Estados, fazer a guerra e explorar os povos e os recursos naturais. Tudo em nome do lucro.

Perante isto, é também fundamental reconhecer o que a própria história nos ensinou. É que, muito embora haja recuos, e às vezes regressões muito profundas, o curso da história é sempre em frente. E a história, nomeadamente a história do nosso país, ensina-nos também que é na união de um povo, na união de todos os verdadeiros democratas, que reside a sua força e capacidade de transformação. E a união faz-se também através da participação em organizações como a URAP.

As coisas estão más. Mas não vão ficar sempre assim.
Assim o sabiam aqueles que, como estes tarrafalistas, resistiram, lutaram e acabaram por vencer o fascismo (apesar de nem todos o terem podido testemunhar). Daí a sua coragem. Eles sabiam que, um dia, os vencedores seriam eles. Já o eram, porque não se deixaram quebrar.
Assim o sabemos nós porque conhecemos o seu exemplo e transportamos o seu testemunho com as nossas novas forças.

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Intervenção de Marília Villaverde Cabral, coordenadora da URAP, por ocasião da atribuição de galardão à URAP, pela Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura Recreio e Desporto

 

Senhor Presidente,

Senhores Dirigentes da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura Recreio e Desporto.

Senhores Dirigentes Associativos, Minhas Senhoras e Meus Senhores.

Encarregou-me o Conselho Directivo da URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses de agradecer o Galardão que muito nos honra e saudar, neste Dia das Colectividades, uma Organização que congrega Associações que datam dos fins do século XVIII, princípios do século XIX e que ao longo dos anos têm dado um contributo inestimável em prol da cultura e da vivência cívica.

Mesmo no período da ditadura fascista, as Colectividades não só mantiveram as suas actividades culturais e recreativas, como até as desenvolveram. Foram também polos de grande resistência antifascista.
Mesmo antes do 25 de Abril, as Colectividades tinham já, na sua vida
Interna, uma prática de democracia e liberdade.

A URAP, nestes 40 anos do 25 de Abril, tem-se esforçado também por dar o seu contributo para que se não esqueça o que foi o fascismo, as prisões , as torturas, mas também do que foi a Resistência. Numa luta contra o esquecimento : para que as jovens gerações saibam que, para termos Hoje Liberdade, muitos homens e mulheres entregaram a sua vida à causa da Democracia. Com uma Exposição e organizando sessões em escolas, temos percorrido o País de Norte a Sul, em colaboração com Professores e Câmaras Municipais. Vamos continuar! Porque os livros escolares e os programas não contam aos jovens o que custou a Liberdade.

Mais uma vez, os nossos agradecimentos pelo Galardão com que, generosamente nos distinguiram, desejando bons êxitos nos vossos trabalhos, que continuam a ser Hoje um valioso elemento de emancipação das populações.

Bem Hajam
Marília Villaverde Cabral

31/05/2014

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Tributo aos Mártires da Liberdade do Século XX
"Do Heroísmo à Firmeza ( 1934/1974) " – percursos na memória da casa da Pide, no Porto

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ABAIXO ASSINADO

EX.MO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA
EX.MA SENHORA PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
EX.MO SENHOR PRIMEIRO MINISTRO
A TODOS OS GRUPOS PARLAMENTARES

Uma cidade, como o Porto, com longa história e robustez de carácter, tem inúmeros pontos de identidade, de confronto e desafronta. Muito do destino português tem passado pelas suas gentes e ruas. Na construção da vida colectiva , e remeter-nos-emos somente aos dois últimos séculos, o Porto tomou frequentemente a dianteira: Revolução Liberal (1820), Cerco do Porto (1832-1833 ) , Revolta do 31 de Janeiro ( 1891) e pagou o preço da pronúncia do Norte.

Durante a ditadura (1926-1974), o primeiro levantamento de monta (13-2-1927 ) saldou-se em 200 portuenses mortos, na maioria civis, abatidos a tiro de canhão. Destacando algumas gigantescas acções populares, lembraremos a celebração da Vitória dos Aliados ( 1945 ) , o comício de apoio ao General Norton de Matos ( 1949), a recepção ao General Humberto Delgado (1958) , que abalaram os alicerces do regime. Com óbvios motivos para desconfiar da Cidade da Liberdade e do Trabalho , as forças ditatoriais estabeleceram um centro de vigilância e repressão ( 1934) na Rua do Heroísmo, 329. Até à Revolução de Abril de 1974, funcionou ali a Polícia Política, sob três nomes: PVDE, PIDE, DGS. Nestas instalações, cerca de 7600 cidadãos sofreram detenções arbitrárias, a tortura do sono, torturas físicas e psicológicas. Dois presos foram assassinados : Joaquim Lemos de Oliveira, barbeiro, de Fafe; Manuel da Silva Júnior, operário, de Viana do Castelo. Rosa Casaco, chefe de brigada que matou o General Sem Medo e a sua secretária, foi o último director da masmorra.

A partir da década de oitenta, encetaram-se diligências no sentido de se proceder, desde logo, à identificação e classificação do edifício, a fim de que fosse considerado de interesse público. Após repetidas petições, intervenções públicas, sensibilizações, o Governo Civil acedeu a colocar uma lápide (2004) : " Homenagem do Povo do Porto aos Democratas e Antifascistas que neste edifício foram humilhados e torturados " A chama da evocação deste lugar continuou a ser mantida por alguns movimentos, integrando personalidades de distintos quadrantes, para além de ex-presos e seus familiares.

Particularmente nos últimos seis anos , a URAP assumiu uma obstinada defesa deste sítio , enquanto símbolo de resistência, de coragem, de denúncia, de pedagogia cívica. Para o efeito, com a compreensão de várias Direcções do Museu Militar, organizaram-se visitas guiadas, promoveram-se exposições de livros, palestras e sessões cinematográficas. Programa ocasional. As recordações desta casa reclamavam um dispositivo que, sem colidir com o espólio museológico, introduzisse uma sinalética nas salas, nos corredores, nas escadarias, nas celas. O Arquitecto Mário Mesquita, docente da UP, elaborou um projecto, com suporte orçamental ( 2009), reconhecido por várias entidades como de grande mérito técnico, para além de não implicar qualquer custo para a instituição. O documento, intitulado " Do Heroísmo à Firmeza– percursos na memória da casa da PIDE, no Porto ( 1934-1974 " prevê não só um percurso expositivo, mas o recurso a fontes documentais: normas de serviço internas, entrevistas a presos políticos, registo geral de presos, bibliografia com memórias, fotografias, objectos da vivência prisional, lista de alimentos, notícias dos jornais, gravações áudio e vídeo. O projecto aponta para o estabelecimento de parcerias, havendo a realçar a adesão imediata da Direcção Geral dos Arquivos ( Torre do Tombo ). Para facultar todas as explicações sobre a compatibilização desta valência com o compromisso museológico, houve sucessivas reuniões com a hierarquia militar da área. Os acolhedores do projecto chegaram a anunciar aos promotores e parceiros ( URAP, Arq. Mário Mesquita, DGARQ) a sua aprovação. Transcorreu, depois, um interregno de ambiguidades e silêncios de gaveta. Solicitada uma resposta formal, a URAP tomou nota de um despacho : não considerava oportuna a implementação do projecto.

Dado que o País e o Porto se preparam para comemorar os 40 anos da Revolução dos Cravos e da libertação dos presos políticos, os subscritores apelam às entidades competentes para que reconsiderem a oportunidade de dotar a Cidade e o Norte de um memorial que levante do esquecimento milhares de vítimas do fascismo.

A dignidade portuense e nacional, o respeito por tantos Mártires da Liberdade do Século XX, a imagem de uma democracia de verdade – exigem esse tributo.

Não permitamos que se ocultem as Memórias do Cárcere !

Fevereiro de 2014

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mariliavillaverdeBem-Vindos à Festa da URAP- União de Resistentes Antifascistas Portugueses!
Estamos a comemorar os 40 anos da Revolução de Abril!

Em primeiro lugar, em nome do Conselho Directivo da URAP, quero agradecer a vossa presença e, muito especialmente, permitam-me que agradeça aos artistas que, de forma solidária, nos honram com a sua presença:
À Farra-Fanfarra que acabaram de ver e ouvir e aos que vêm em seguida:
Francis Raposo Ferreira; Coro Juvenil da Universidade de Lisboa, dirigido por Erica Mandillo; Isa Fontes; Ensemble Concordis; André Levy e Samuel.

Queremos agradecer igualmente à Direcção da Escola Secundária de Camões, na pessoa do seu director, Engº. João Jaime Pires, pela cedência deste Auditório, bem como aos funcionários desta casa.
A URAP, com esta iniciativa e com a Exposição que, decerto, viram lá fora, inicia as comemorações do 40º. Aniversário do 25 de Abril.

Constituída oficialmente em 30 de Abril de 1976 por homens e mulheres que no fascismo criaram a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos e, cujo papel, foi fundamental no apoio aos presos e suas famílias, a URAP tem consagrado grande parte da sua actividade no combate contra o branqueamento do fascismo, contra o esquecimento da luta pela democracia e a que tantos sacrificaram a sua liberdade e muitos a própria vida.

Os programas escolares pouco falam das prisões, do campo de concentração do Tarrafal, para onde foram enviados centenas de portugueses, entre eles, muitos jovens. Onde os próprios guardas diziam: para aqui, vem-se para morrer. Pouco falam nas torturas a que foram sujeitos todos aqueles que queriam viver num país livre e feliz. E, no entanto, todo esse tempo faz parte da nossa História e é importante que se saiba que no Portugal cinzento e triste, havia quem resistisse, quem não se conformasse com a falta da liberdade, com a miséria, com o obscurantismo, com as guerras coloniais.

Estamos a comemorar Abril e queremos dizer-vos que tudo faremos para que a nossa Exposição possa andar por todo o país e por todo o país, com a ajuda de muitos democratas e ex-presos políticos, chegar às Colectividades, às Escolas, junto de alunos e professores. Já muitos professores nos contactaram para, inclusive, organizarmos visitas guiadas ao Forte de Peniche. Peniche, cuja Câmara Municipal tem assinado um protocolo com a URAP, que muito nos honra.

Como nós, muitos professores sentem também a necessidade de que os seus alunos saibam o que foi, de facto, o 25 de Abril.
É importante falar de Abril. E falar de Abril é fácil e difícil.

Fácil, porque sabemos o que foi conquistado pela luta do Povo, em aliança com o Movimento das Forças Armadas:
grandes transformações no nosso país, com as nacionalizações de sectores básicos e estratégicos da economia, com a Reforma Agrária e com o apoio aos pequenos e médios agricultores, comerciantes e industriais.
Revolução que consagrou direitos dos trabalhadores: à greve, à contratação colectiva, à liberdade sindical, ao salário mínimo, ao subsídio de desemprego, aos subsídios de férias e de Natal.
Revolução que promoveu o direito à saúde, ao ensino, à generalização de reformas e pensões, aos direitos das mulheres e dos jovens.
Revolução que impulsionou a cultura, que promoveu a alfabetização.

Difícil, porque quem viveu esses tempos, não consegue transmitir com fidelidade, às novas gerações, a sensação de tanta felicidade! Foi, de facto, um tempo de uma imensa alegria. Nas ruas, os desconhecidos eram amigos, os amigos eram irmãos. Foi tempo de lágrimas, de abraços: aos que voltavam do exílio, aos que saiam das prisões. Em cada fábrica, em cada lado onde se lutava para se conseguir o que nos tinham tirado durante anos, ouvia-se o grito sempre presente "O Povo Unido jamais será vencido!".

Cantava-se a Grândola Vila Morena, mas mais e mais canções nasciam a todo o momento. Até o fado deixou de ser o que era e Ary dizia no seu Fado Alegre, " A hora, é de mandarmos a saudade e o choro embora e noutro fado desgarrarmos vida fora".
Mas os derrotados no 25 de Abril, conseguiram, pouco a pouco, com poderosas ajudas internas e externas, avançar na destruição do que o Povo tinha conquistado.

Chico Buarque, que no seu Brasil, dominado pela ditadura fascista, dedicou uma linda canção a Portugal e à nossa Revolução, cantou mais tarde "já murcharam a vossa festa pá". É verdade. Murcharam a Festa. Mas ele disse também uma coisa muito importante " certamente esqueceram uma semente nalgum canto de jardim". Não foi uma, mas muitas sementes deitadas a esta terra que é nossa e num Abril mais próximo ou mais longínquo, hão-de florir, de novo, os cravos vermelhos, símbolo da vontade do nosso Povo.

VIVA O 25 DE ABRIL!
Marília Villaverde

 

15 de março de 2014

Auditório Camões, Lisboa

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