O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira (STIV) organizou uma jornada de luta e evocação da Revolta dos operários vidreiros da Marinha Grande contra a fascização dos sindicatos, de 18 de Janeiro de 1934, para a qual convidou a URAP.
A iniciativa, que este ano decorreu dia 17 de Janeiro, devido às eleições presidenciais, teve a presença de cerca de 100 associados e amigos da URAP, e contou com a intervenção de César Roussado, do Conselho Directivo, na Rotunda do Vidreiro, onde terminou a jornada.
César Roussado começou por saudar, em nome da URAP, “os heroicos e destemidos operários vidreiros que durante várias horas ocuparam a Vila da Marinha Grande, vários locais do poder local e locais estratégicos”.
Em seguida, o orador relatou a enorme e brutal repressão sobre os operários vidreiros e a população que o regime fascista de Salazar desencadeou contra eles e lembrou que alguns pagaram a luta com a sua própria vida.
Muitos foram deportados para a Fortaleza de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, nos Açores, e para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde. Das centenas de prisioneiros deportados para o Tarrafal em 1936, 32 morreram, dois dos quais oriundos da Marinha Grande, disse.
O dirigente da URAP sublinhou que “no ano em que a URAP faz 50 anos, a evocação da luta dos operários vidreiros é um imperativo que nunca poderia ser esquecido. A sua heroica luta foi derrotada, mas os seus ideais prosseguiram e ao longo dos anos deram também um enorme contributo para o derrube do regime fascista e a revolução do 25 de Abril de 1974”.
O orador recordou ainda que 92 anos depois do 18 de Janeiro de 1934 novos perigos e ataques contra os trabalhadores continuam presentes. Os actuais riscos visam alterações legislativas à Lei Laboral em vigor. Esse “Pacote Laboral”, que o governo da AD pretende apresentar ao Parlamento, a ser aprovado, retiraria direitos e agravaria a vida dos trabalhadores portugueses.
Entre os membros da URAP presentes encontravam-se elementos de Aveiro, Coimbra, Peniche, Almada, Seixal, Marinha Grande, Algueirão Mem Martins, Rio de Mouro, Agualva Cacém, Queluz, Amadora e Lisboa. O grupo percorreu locais históricos na Marinha Grande onde os operários vidreiros resistiram e lutaram contra a GNR e outras forças vindas de Leiria.
O historiador Hermínio Nunes guiou os participantes pelos locais estratégicos da preparação e resistência armada: a casa de José Gregório; a rua de um tarrafalista que morreu no Campo de Concentração do Tarrafal; a Câmara Municipal da Marinha Grande e outros locais da Resistência.
O almoço, organizado pelo núcleo da URAP da Marinha Grande, decorreu na Sociedade Recreativa e Desportiva Garciense, na Garcia, e na parte da tarde os intervenientes visitaram o Museu do Vidreiro, na antiga casa e fábrica Stephen, detido pela Câmara Municipal da Marinha Grande.
Em seguida, todos os participantes, dirigentes do STIV, da União de Sindicatos de Leiria e o secretário-geral da CGTP/IN, Tiago Oliveira, concentraram-se junto ao cemitério e a partir daí desfilaram pelas ruas da Marinha Grande até à Rotunda do Vidreiro.
Na Rotunda do Vidreiro interveio o Coordenador Nacional do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira (STIV), Daniel Reveles, a coordenadora da União de Sindicatos de Leiria, Mariana Rocha, e por fim o secretário-geral da CGTP/ IN.
Tiago Oliveira valorizou a homenagem e sobretudo a luta actual dos trabalhadores portugueses contra o Pacote Laboral, de que a Greve Geral de 11 de Dezembro foi um marco histórico.



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