A URAP, com o apoio do Município de Oeiras, realizou uma sessão evocativa da histórica fuga de Caxias, dia 6 de Dezembro, no Palácio Egipto, em Oeiras, moderada por César Roussado, do Conselho Directivo, na qual participou o ex-preso político Domingos Abrantes.
Em 4 de Dezembro de 1961, num dia límpido e de sol luminoso, evadiram-se da cadeia do Forte de Caxias um grupo de oito presos políticos, numa fuga audaciosa, dentro do carro blindado que Hitler tinha oferecido a Salazar. O automóvel encontrava-se, há muito tempo, guardado no estacionamento daquela cadeia.
Tratou-se de um acto revestido de muito risco e heroísmo, preparado minuciosamente ao longo de muitos meses. Uma histórica fuga que depois correu o país e o mundo.
Domingos Abrantes, o único sobrevivente dos presos da célebre fuga, perante uma assistência de mais de 120 pessoas, algumas delas ex-presos políticos, descreveu com minúcia como decorreu a preparação da fuga, focando a fuga em si e a certeza da continuação da luta contra o regime fascista.
Os presentes "beberam" cada palavra do narrador, cada passo e as imagens mais significativas da cadeia, do portão por onde os presos fugiram, com a GNR a disparar raivosamente contra o carro preto de Salazar.
Domingos Abrantes valorizou António Tereso, mecânico, figura chave no êxito da iniciativa, que se fez passar por "rachado" (traidor) para cair nas graças de um agente da PIDE e do Director do Forte, arranjando o carro de Salazar para a fuga que se aproximava.
Esta sessão evocativa está integrada na exposição "Resistência e Liberdade....tanta história para contar", que se encontra no Palácio Egipto até final de Abril.
Domingos Abrantes agradeceu ainda o contributo do Município de Oeiras no trabalho desenvolvido para manter a memória viva nos tempos cinzentos e que escurecem.
A URAP presta a sua homenagem e o agradecimento a todos os ex-presos políticos, na certeza de que todos vamos continuar a luta - "Abril, Abril Sempre! Resistir e Lutar!".



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