
Ex-presos políticos, muitos dos quais grevistas e activistas políticos, residentes nos Concelhos da Amadora e Sintra, foram homenageados, dia 19 de Novembro, no restaurante dos Bombeiros Voluntários da Amadora.
O membro do Conselho Directivo da URAP José Pedro Soares saudou os ex-presos políticos que nas masmorras da ditadura fascista de Salazar e Caetano lutaram pela liberdade, pela paz, pelo fim do fascismo e apelou a todos para que continuem a lutar agora, depois de Abril, pela construção de um Portugal mais justo e democrático.
O almoço-convívio contou com a participação de cerca de 70 pessoas e nele intervieram também Bruno Carvalho, que apresentou a iniciativa, e João Cravo, responsável do núcleo da Amadora.
Muitos dos presentes da Fação, Algueirão Mem-Martins, Rio de Mouro, Cacém, Queluz, Amadora e Benfica viveram e lutaram na grande greve dos operários de Montelavar e Pero Pinheiro de 1965, nas greves dos trabalhadores de muitas empresas, designadamente, a Sorefame e a Cometna, na Amadora, ou participaram no Movimento Democrático Unitário que concorreu às eleições fascistas de 1969 e 1973.
Por uma daquelas inexplicáveis coincidências históricas, foi justamente no dia em que se assinalavam os 60 anos da partida de Fidel Castro do México, no iate Granma, para iniciar a luta de guerrilhas na Sierra Maestra, que nos deixou, fisicamente, esse revolucionário exemplar que dirigiu a heróica luta que viria a libertar Cuba da ditadura de Fulgêncio Baptista.
Fidel Castro, apesar de ser procedente de uma família abastada, desde muito jovem adquiriu uma consciência social e política que o levou a tomar partido pelos mais desfavorecidos. Doutorado em Direito Civil, em 1950, defendia gratuitamente os pobres nos tribunais. Em 1953, liderou um grupo de revolucionários no assalto ao Quartel Moncada contra a ditadura. O fracasso militar do ataque acabaria por se tornar num triunfo político, pois no julgamento que se seguiu Fidel fez da sua própria defesa um memorável libelo acusatório contra o regime (A História me absolverá). Condenado a 15 anos de prisão, foi amnistiado em 1955 e exilou-se no México, onde organizou um destacamento revolucionário para continuar a luta, sendo constituído por 80 homens o contingente que embarcou no Granma a 25 de Outubro de 1956.
Os núcleos da URAP de Algueirão/Mem-Martins e de Lisboa visitaram o Museu do Neo-realismo de Vila Franca de Xira, em 18 e 25 de Outubro, respectivamente, contando com a participação do escritor Domingos Lobo.
Domingos Lobo, Prémio de Melhor Encenador do Festival de Teatro de Lisboa 1982, ficcionista, com vasta obra publicada, e também poeta, dramaturgo e ensaísta, declamou poemas da resistência e de luta.
A visita do Núcleo de Lisboa foi orientada pelo director do museu, o professor catedrático e escritor António Pedro Pita.
António Pita é o coordenador científico do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra e membro do conselho científico do Centro de Estudos Ibéricos.
O poeta e revolucionário Marcos Ana (Fernando Macarro Castillo), o prisioneiro que mais tempo seguido passou nos cárceres franquistas, 23 anos, morreu ontem, quinta-feira, 24 de Novembro, em Madrid, aos 96 anos.
Marcos Ana, que foi durante três décadas vice-presidente da Federação Internacional de Resistentes (FIR), mantinha uma relação muito próxima com a União de Antifascistas Portugueses (URAP), tendo-se reunido em 27 de Maio de 2009 com o então coordenador do Conselho Directivo da URAP, Aurélio Santos, e os membros do Conselho Directivo, Encarnação Raminho, Marília Villaverde Cabral, Ana Pato e David Pereira.
O poeta, que se encontrava então em Lisboa para o lançamento do seu livro "Digam-me como é uma Árvore – Dos cárceres franquistas à Liberdade", uma autobiografia em que conta experiências comuns a muitos milhares de antifascistas que lutaram pela liberdade, a democracia e o socialismo, falou do traço de unidade na luta antifascista entre Portugal e Espanha, que se observa no percurso dos dois povos na busca da liberdade e da democracia.
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