Intervenção de Encerramento da Assembleia

Marília Villaverde Cabral

 

"Caros Amigos,


Estamos a encerrar a nossa Assembleia e penso que posso dizer, em nome de todos vós, que a Assembleia correspondeu aos objectivos previstos e que demos mais um passo no fortalecimento da URAP, no seu alargamento, na sua projecção.


A URAP é cada vez mais necessária. Para quem considerasse que já não valia a pena esta luta, que o fascismo já há muito está morto, veja-se a situação na Hungria, na Polónia e em vários outros países do Leste da Europa. Veja-se a força da direita e extrema-direita na Holanda e, em França, vamos ver o que acontece.

No nosso País, apesar de não terem grande expressão, grupos nazis, estão sempre com as "unhas afiadas", quando vêm oportunidades, como foi este caso da Universidade Nova e o Museu Salazar, de vez em quando, vem à baila.

Ainda há dias, a Federação Internacional de Resistentes – FIR, nos pediu para tomarmos posição junto da Embaixada da Letónia, para que o Governo do seu país impedisse a realização de uma manifestação de homenagem à polícia Waffen-SS e outros esquadrões da morte, que colaboraram com os nazis. Esta iniciativa fascista que já se tem realizado mais vezes, tem contado com a complacência e até o apoio do Estado da Letónia.


Estamos a viver uma época de grande incerteza, de grandes perigos para a Paz e de grandes retrocessos históricos, agora agravada com a eleição de Trump para a presidência dos Estados Unidos da América.

 

E, se esta eleição tornou a situação internacional ainda mais inquietante, não podemos deixar de alertar para as posições da União Europeia que, a pretexto dos chamados " perigos externos", reforçam a sua vertente militarista e intervencionista. E, infelizmente, vários responsáveis de vários países europeus, têm levado a cabo políticas, nomeadamente, em relação aos refugiados, muito semelhantes às políticas adoptadas pelos Estados Unidos da América.


Caros Amigos,


Na última Assembleia, congratulámo-nos com a derrota do PSD/CDS, derrota para a qual as grandiosas lutas do povo português foram fundamentais. Hoje, passado este tempo, temos consciência dos passos dados que não só repuseram aos trabalhadores vários direitos roubados pelo anterior Governo, como travaram políticas que visavam retirar tudo o que ainda restava da Revolução de Abril.

Mas a URAP não pode ficar indiferente aos graves problemas que o nosso País enfrenta: entre eles, o elevado índice de desemprego, a precariedade, os baixos salários, a manutenção do actual Código do Trabalho, a não eliminação da caducidade na contratação colectiva, a renovação das PPP na saúde. Mas se foi a luta que nos fez dar os passos positivos, também será a luta que nos levará a dar mais passos necessários. A URAP estará sempre ao lado dos que, persistentemente, travam a batalha para um Portugal melhor.


A URAP é uma organização que luta contra o branqueamento do fascismo, que se recusa a deixar cair no esquecimento quem lutou pela liberdade, quem resistiu às prisões, às torturas, quem perdeu anos das suas vidas no Campo de Concentração do Tarrafal, nos cárceres do Porto, de Angra do Heroísmo, de Peniche, de Caxias. Ao visitarmos Os Fortes de Angra do Heroísmo, tão esquecidos, que grande parte da população portuguesa, nem sequer sabe que foram prisões políticas de alta segurança, ao vermos a Poterna e o Calejão, locais tenebrosos para onde encerravam os presos para os castigos e para o isolamento, dizemos não ao esquecimento. Os nomes gravados nas paredes que escorrem água, apelam a que lutemos em sua memória. O seu sofrimento não foi em vão. Foi a sua luta que nos devolveu a liberdade, mesmo quando parecia que "o dia das surpresas" demoraria muito a chegar.


Quando lembramos o património de luta, quando vamos às escolas, não estamos só virados para o passado. Estamos a cumprir um dever de contar às jovens gerações, que jovens, praticamente como eles, lutaram pela liberdade, com muitos sacrifícios e que a liberdade não caiu do céu. Que Hoje, é necessário estarmos atentos a fenómenos de racismo, de xenofobia, atributos do fascismo. Que é necessário lutar pela Paz, cada vez mais ameaçada. Ao evocarmos a Guerra Civil de Espanha, damos a conhecer a heroicidade dos que se bateram pela jovem República e por um Governo democraticamente eleito pelo Povo. Damos a conhecer a solidariedade internacionalista dos jovens de todo o Mundo que formaram as Brigadas Internacionais e todo este passado, relativamente recente, é um exemplo e um estímulo para a luta do presente e do futuro.

 

Ao encerrarmos a Assembleia, fica o apelo para continuarmos o nosso trabalho, com entusiasmo e determinação, criando mais núcleos, a nível nacional, reactivando outros que já existiram, incentivando a sua actividade, porque há muito a fazer, com a convicção que a URAP é necessária. Que se não formos nós a contribuir para a História do nosso País, com verdade, outros o farão com mentiras ou omissões.


Vale a pena este nosso trabalho, esta nossa luta!


VIVA A URAP!"


Lisboa, 25 de Março de 2017

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A União de Resistentes Antifascistas Portugueses – URAP, reunida em Assembleia Geral, no dia 25 de Março de 2017, congratula-se com a decisão do Governo de retirar o Forte de Peniche da lista dos imóveis a concessionar a entidades privadas para fins turísticos e hoteleiros, e de salvaguardar enquanto espaço simbólico da memória histórica da luta e resistência antifascista.


Só a acção de ex-presos políticos e outros antifascistas, em que a URAP muito se empenhou, os abaixo-assinados (9.600, em poucos dias), dirigido à Assembleia da República e entregue ao seu Vice-Presidente, o Encontro-Convívio no próprio Forte com a presença de 600 pessoas, fez travar este processo.


Hoje, vimos junto do Governo apelar para que o Estado adopte medidas políticas e financeiras para garantir a preservação da Fortaleza de Peniche como património nacional ao serviço da comunidade e assegure a instalação de um verdadeiro Museu da Resistência que cumpra a imperiosa função de dar a conhecer às jovens gerações o que foi a repressão fascista e o que foi a heróica luta do povo português pela liberdade.

 

Lisboa, 25 de Março de 2017
Assembleia Geral da URAP

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De modo geral, prosseguir e melhorar as actividades que a URAP desenvolve regularmente e promover inciativas que alarguem a sua área de intervenção, sobretudo junto das jovens gerações.


- Assim, persistir na criação de mais Núcleos, a nível nacional e aumentar o número de associados.


- Melhorar o recebimento das quotas e encontrar formas de angariar fundos que sustentem o reforço da actividade da URAP.


- Manter a regularidade trimestral do Boletim e, além da edição impressa, preparar a sua edição digital.


- Conseguir notícias mais atempadas na Página e no Facebook.


- Firmar Protocolos de Colaboração com as Câmaras Municipais de Almada, Beja, Grândola, com a Junta de Freguesia de Carnide e renovar o da Junta de Freguesia de Rio de Mouro.


- Reunião, promovida pela URAP, dos subscritores da Petição "Forte de Peniche - Defesa da memória", na Federação das Coletividades, a 26 de Janeiro (realizado)


- Homenagear os Tarrafalistas, junto do seu Mausoléu, no Alto de S. João a 18 de Fevereiro (já realizado).


- Presença do Conselho Directivo na Visita Guiada, organizada pelo Núcleo do Porto, às antigas instalações da PIDE/DGS - Projecto "Do Heroísmo à Firmeza" a 4 de Março (já realizado).


- Iniciativa sobre a Guerra Civil de Espanha, no Barreiro, no âmbito do Protocolo com a Câmara Municipal, a 1 de Abril.


25 DE ABRIL
- Continuar a realizar Sessões em Escolas, Colectividades e outras estruturas populares.


- Participar na Comissão Organizadora das Comemorações Populares e mobilizar os associados para os Desfiles de Lisboa e Porto.


- Inauguração do Memorial de homenagem aos cerca de 2500 antifascistas que estiveram presos no Forte de Peniche, no âmbito do Protocolo com a Câmara Municipal, no dia 25 de Abril.


- Sessão em Mafra de homenagem aos antifascistas do concelho, "Das Prisões à Conquista da Liberdade", a 29 de Abril.


- Organizar almoço-convívio, pelo aniversário da URAP, a 30 de Abril.


- Propor à CGTP a montagem do Espaço URAP, no 1º. de Maio.


- Evocar o MJT (Movimento de Jovens Trabalhadores) na luta contra o fascismo, na 2ª. quinzena de Maio, na Casa do Alentejo.


- Iniciativa sobre a Revolução de Outubro – ainda sem data.


- Exposição de Artes Plásticas com obras oferecidas à URAP – ainda sem data.


- Homenagem a Alexandre Cabral, no centenário do seu nascimento – em Outubro.


- Encontro Nacional da URAP com a presença dos Núcleos e amigos da URAP de todo o País, em Outubro.


- Elaborar uma brochura sobre os Fortes Angra do Heroísmo – S. João Baptista e S. Sebastião (Castelinho), uma vez que já foi feito o levantamento, na Torre do Tombo, dos nomes dos antifascistas que ali estiveram presos.


- Continuar a recolha de elementos para a publicação de um Roteiro de Lisboa da Resistência Antifascista


- Iniciativa sobre a Situação Internacional, "A luta dos Povos contra o Fascismo".


- Persistir na luta pelo investimento do Governo na reabilitação, melhoramento e reconversão do Forte de Peniche, enquanto lugar especial de memória da resistência e de luta antifascista.


- Lançamento do livro "Forte de Peniche – Defesa da Memória, Resistência e Luta".

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Organização


Tendo sido um objectivo prioritário, no Plano de Trabalho para 2016, a formação de novos Núcleos da URAP, foram dados alguns passos, nesse sentido, com a criação dos Núcleos de Lisboa, Amadora, Queluz e Mem-Martins.

 

Contactaram-se sócios há muito desligados e foram recuperadas quotas em atraso.

 

Inscreveram-se na URAP, no decurso de 2016, 57 novos associados.

 

Actividade


A URAP, por sua iniciativa ou em conjunto com outras organizações, tomou posição em defesa da Paz, solidarizou-se com os povos da Palestina, Síria, Líbia, Iraque e Iémen, e contra a ocupação da Palestina. Denunciou a ofensiva desestabilizadora na América Latina, designadamente no Brasil e na Venezuela, além de, e mais uma vez, o bloqueio a Cuba.

 

Promoveu uma visita guiada, para associados, ao Museu do Aljube, orientada por Domingos Abrantes, em 13 de Fevereiro.

 

Organizou, como habitualmente, a Romagem e Homenagem aos Tarrafalistas, junto ao seu Mausoléu, no Alto de S. João, em 2 de Abril.

 

A 20 de Abril, foi colocada a "Primeira Pedra" do Projecto "Do Heroísmo à Firmeza – Percurso na Memória da Casa da PIDE no Porto"

 

Participou na Comissão Organizadora das Comemorações do 25 de Abril, tendo mobilizados os seus Núcleos para a Manifestação/ Desfile na Avenida da Liberdade

 

A 30 de Abril, realizou-se o almoço comemorativo do 40º aniversário da fundação da URAP, com 45 presenças.

 

Levou a efeito Sessões, nos meses de Abril e Maio, com ex-presos políticos e outros antifascistas, em colectividades e escolas, em que participaram milhares de alunos.

 

Em parceria com o Museu do Aljube – a URAP faz parte do seu Conselho Consultivo – organizou três sessões:


- Apresentação do livro de Cristina Nogueira, "Vidas na Clandestinidade", com a presença da autora e apresentação da professora Paula Godinho, em 11 de Novembro


- Mesa Redonda sobre a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, moderada pela jornalista Ana Aranha e com a participação de três dos fundadores. Frei Bento Domingues, Levy Baptista e Manuela Bernardino, em 16 de Novembro.


- Apresentação do livro de Mário Pádua, "Angola, anos dourados do colonialismo – A insurreição", com a presença do autor e apresentação do escritor Domingos Lobo. A encerrar a sessão, realizada a 13 de Dezembro, foram ditos poemas por Domingos Lobo e Manuel Diogo.

 

Forte de Peniche – A Direcção da URAP, ao tomar conhecimento da decisão do Governo de, no âmbito do Programa Revive, pretender concessionar o Forte a privados para fins turísticos e hoteleiros, imediatamente se juntou à onda de protesto dos democratas, promovendo a Petição "Forte de Peniche – Defesa da Memória, Resistência e Luta" que recolheu, num curto espaço de tempo, 9600 assinaturas. Organizou transportes e mobilizou para o Encontro Convívio de 29 de Outubro, o qual contou com a presença de 600 democratas de todo o País. Estas iniciativas contribuíram decisivamente para travar a decisão do Governo que, a 10 de Novembro, anunciou a retirada do Forte de Peniche dos imóveis a concessionar.

 

No dia 19 de Novembro, no auditório do "Espaço – Memória" da Câmara Municipal do Barreiro, a anteceder a sessão de lançamento do Catálogo da Exposição "Regresso das Bandeiras" (com um texto da URAP), foi firmado um protocolo de colaboração entre a Câmara e a URAP.

 

Também a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo decidiu, por unanimidade, aprovar a celebração de um protocolo com a URAP. Assinale-se que, entretanto, a URAP efectuou o levantamento dos presos nos Fortes de S. João Baptista e de S. Sebastião, em número de 464, entre 1933 e 1943.

 

Participação no XVII Congresso da FIR – Federação Internacional de Resistentes, realizado em Praga em 18 e 19 de Novembro. A URAP esteve representada pela sua coordenadora nacional, Marília Villaverde Cabral que fez uma intervenção.

 

Nos 80 anos do início da Guerra de Espanha, a URAP organizou, a 10 de Dezembro, uma sessão evocativa de homenagem aos antifascistas que se bateram heroicamente na defesa da jovem República de Espanha, com a passagem de vídeos e fotos, poemas e canções e uma intervenção sobre o significado histórico desse grande embate entre o fascismo e a democracia.

 

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Nenhumas Honrarias às Waffen-SS das Letónia!

Apelo a protestos internacionais


A 16 de Março, como é hábito todos os anos de 1991, em Riga, a capital da Letónia, vai haver uma cerimónia, uma marcha em honra e um comício com bandeiras no Monumento da Liberdade em honra das Waffen-SS.


Assim como na Estónia, Lituânia, Ucrânia e Bulgária, a Letónia é um dos países do Leste Europeu onde unidades da Waffen-SS e outros esquadrões da morte anti-semitas que colaboraram com os nazis são celebrados como heróis nacionais. Isto é feito com a tolerância do Estado e com algum apoio, algo aberto, das autoridades.


A marcha em Riga (Ehrenmarsch) é uma provocação sem precedentes para os familiares e vítimas da polícia letã e das unidades das SS e para Judeus, Russófonos e outras minorias presentes no país. Não só contrasta com os valores da União Europeia, cujas vantagem o estado Letão aceita de bom grado, mas também é uma provocação à Federação Russa e, consequentemente, uma ameaça à paz na Europa.


Na Letónia, manifestantes antifascistas estão sujeitos a represálias (escutas telefónicas, restrições a viajar, descriminação administrativa, polícia, intervenção estatal em hotéis e organização de eventos). Isto também se aplica a apoiantes antifascistas provindos da Alemanha e de outros países.

 

Por tudo isto, é da maior importância que em 2017 se mostre solidariedade com os antifascistas letãos. A Federação Internacional de Resistentes (FIR) e as suas organizações membros apelam a uma viagem a Riga para participarem numa manifestação anti-fascista a 16 de Março.


Ao mesmo tempo apelamos a que dia 15 de Março, em Roma, Bruxelas, Budapeste, Atenas, assim como em várias cidades alemãs se proteste em frente das Embaixadas e Consulados da Letónia, na Europa, contra a glorificação dos colaboradores nazis e de assassinos em massa e exigir liberdade para os antifascistas letões.


Exigimos:
• O fim dos tributos a colaboradores Nazis e assassinos!
• Reconhecimento da participação Báltica no genocídio Nazi!
• Liberdade para a "Letónia sem Nazismo!"
•Chamamos todos os antifascistas a enviar mensagens de protesto para as embaixadas Letãs e para os Consulados Letões.

 

A FIR - Federação Internacional de Resistentes, Associação Antifascista

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