Sérgio Carvalhão Duarte, médico, especialista em patologia clínica, que trabalhou longos anos nos Hospitais Civis de Lisboa, nomeadamente no Hospital de Sta Marta, morreu em Lisboa, dia 5 de Novembro, aos 97 anos.
Membro da URAP, Carvalhão Duarte foi um antifascista que militou nos movimentos contra a ditadura, como o MUD e o MUNAF, participou nas campanhas eleitorais para a presidência da República de Norton de Matos e Humberto Delgado, e esteve envolvido nas lutas dos médicos por diversas causas da classe.
Nesse sentido, logo em 1974, pertenceu à Comissão Coordenadora Sindical que pretendia dissolver a então Ordem dos Médicos (OM), presidida por um curador, e torná-la num sindicato, e mais tarde, em 1979, integrou as Jornadas Sindicais Médicas da Região Sul que emitiu um comunicado no qual defendia a necessidade de se formar um sindicato médico da zona sul, dada a ausência de poderes sindicais da OM.
Presente em todas as fases da luta antifascista, Carvalhão Duarte era filho de Jaime Carvalhão Duarte (1897/1972), que foi director do jornal “República”, um grande pedagogo, maçon e republicano perseguido por Salazar e pela polícia política, aposentado compulsivamente em 1935, data em que foi preso.
Sérgio Carvalhão Duarte era casado com a antifascista Luísa Irene Dias Amado, professora, que foi presidente da URAP e morreu no passado dia 30 de Outubro, aos 96 anos. O casal tinha dois filhos a quem a URAP apresenta as mais sentidas condolências.


Cinco anos volvidos após a grande mobilização de democratas e antifascistas junto ao Forte de Peniche visando a reversão da decisão governamental de entrega daquele local a privados para fins hoteleiros, que contribuiu para a criação do Museu Nacional Resistência e Liberdade, a URAP organizou um encontro/convívio, dia 30 de Outubro, que contou com a participação de cerca de 300 pessoas.
Olhai que vamos passar,/Nosso canto é de verdade;/Vinde connosco lutar,/Nós somos a liberdade.
O historiador Luís Farinha considerou, numa sessão realizada na Torre do Tombo, a obra “Elas Estiveram nas Prisões do Fascismo”, um tributo directo à memória e à verdade, um memorial das vítimas do fascismo, em livro” que “não sendo um livro de História é, contudo, um contributo precioso para um estudo histórico que lhe venha a suceder”.
«O sol batia na porta de ferro e o calor ia-se tornando sempre mais difícil de suportar. Íamos tirando a roupa, mas o suor corria incessantemente. A “frigideira” teria capacidade para dois ou três presos por cela. Chegámos a ser doze numa área de nove metros quadrados. A luz e o ar entravam com muita dificuldade pelos buracos na porta e em cima pela abertura junto ao tecto.
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