Conceição Matos, antifascista, ex-presa política e sócia da URAP foi homenageada, dia 30 de Maio, e tornou-se “sócia honorária d´A Voz do Operário”.
A distinção é atribuída anualmente por esta instituição centenária - 138 anos - a uma personalidade de mérito reconhecido nas áreas da política, cultura ou desporto.
Com a presença de uma delegação da URAP, constituída pelo coordenador, José Pedro Soares, Celestina Leão e Maria da Purificação Araújo, entre muitos outros democratas, esta heroína da resistência recebeu o galardão e falou comovidamente aos presentes.
Presa pela PIDE duas vezes, barbaramente torturada e humilhada, Conceição Matos foi e é um ser humano cheio de dignidade que travou uma luta sem tréguas contra o fascismo e está na primeira linha da construção do Portugal livre e democrático.
Residente no Barreiro em jovem, cedo começou a lutar contra a injustiça e a exploração reinante, integrou o Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUDJuvenil). Iniciou a sua actividade como todos os jovens democratas da época, fazendo pichagens nas paredes, distribuindo o Avante! clandestino, indo a reuniões, encontros e manifestações.


Adelino Pereira da Silva, do Conselho Nacional da URAP, esteve, dia 25 de Maio, na Escola Marquês de Pombal, em Lisboa, para falar sobre a situação de Portugal antes da revolução, da luta clandestina e do 25 de Abril de 1974, no âmbito de um projecto “Um dia cheirou-me a cravos …”e “À conversa com…”.
Josep Almudéver Mateu, nascido em Marselha, França, em 1919, o último dos 35.000 voluntários das Brigadas Internacionais vivo, que lutou a favor da República e contra o ditador espanhol Francisco Franco, morreu esta semana.
No âmbito da rubrica "Testemunhos", a URAP vai publicar em três fascículos (nos sábados 22 e 29 de Maio e 5 de Junho) a história da prisão de Luísa Vaz Oliveira, em Abril de 1970, estudante do 3º ano de Económicas no ISCEF, de Lisboa, e condenada a 21 meses de prisão pelo seu envolvimento no movimento estudantil antifascista. Luísa Vaz Oliveira, então com 22 anos, conta a tortura do sono que sofreu na sede da PIDE, na António Maria Cardoso, o isolamento em Caxias, os interrogatórios, a doença que padeceu na prisão, os fortes laços que estabeleceu com outras presas, o julgamento no Tribunal da Boa Hora. Um relato na primeira pessoa, para que a memória não se apague.
Vemos, ouvimos e lemos/Não podemos ignorar/Vemos, ouvimos e lemos/Não podemos ignorar/Vemos, ouvimos e lemos/Relatórios da fome/O caminho da injustiça/A linguagem do terror/A bomba de Hiroshima/Vergonha de nós todos/Reduziu a cinzas/A carne das crianças/D´África e Vietname/Sobe a lamentação/Dos povos destruídos/Dos povos destroçados/Nada pode apagar/O concerto dos gritos/O nosso tempo é/Pecado organizado.
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