Lisboa comemorou, dia 29 de Maio, o 45º aniversário da URAP, num almoço na Casa do Alentejo com a presença de ex-presos políticos, sócios e amigos, e de José Pedro Soares que fez uma síntese da actividade da organização.
Depois de saudar os presentes, nomeadamente os ex-presos políticos Adelino Pereira da Silva, Conceição Matos, Domingos Abrantes, Mário Araújo, Raul de Carvalho, o coordenador referiu a homenagem anual aos Tarrafalistas e a todos os resistentes ao fascismo em Portugal e o mundo; destacou o reforço dos núcleos pelo país e apelou para que se trouxessem cada vez mais sócios.
Referindo a próximas iniciativas, divulgou que sairá em breve o livro sobre Mulheres, “Elas Estiveram nas Prisões do Fascismo”, no Porto e Lisboa, e depois em outras cidades e vilas.
José Pedro Soares enquadrou a intervenção no contexto social, económico e político, destacando a luta da URAP contra a xenofobia, racismo, ideias e práticas fascistas e fascizantes.
Perante as cerca de 75 pessoas presentes – uma limitação imposta pela pandemia - Palmira Areal, do Conselho Directivo, abriu a sessão e apresentou, no final, o momento musical com baladas da resistência cantadas por Rúben Martins.


No âmbito da rubrica "Testemunhos", a URAP vai publicar em três fascículos (nos sábados 22 e 29 de Maio e 5 de Junho) a história da prisão de Luísa Vaz Oliveira, em Abril de 1970, estudante do 3º ano de Económicas no ISCEF, de Lisboa, e condenada a 21 meses de prisão pelo seu envolvimento no movimento estudantil antifascista. Luísa Vaz Oliveira, então com 22 anos, conta a tortura do sono que sofreu na sede da PIDE, na António Maria Cardoso, o isolamento em Caxias, os interrogatórios, a doença que padeceu na prisão, os fortes laços que estabeleceu com outras presas, o julgamento no Tribunal da Boa Hora. Um relato na primeira pessoa, para que a memória não se apague.
Conceição Matos, antifascista, ex-presa política e sócia da URAP foi homenageada, dia 30 de Maio, e tornou-se “sócia honorária d´A Voz do Operário”.
Adelino Pereira da Silva, do Conselho Nacional da URAP, esteve, dia 25 de Maio, na Escola Marquês de Pombal, em Lisboa, para falar sobre a situação de Portugal antes da revolução, da luta clandestina e do 25 de Abril de 1974, no âmbito de um projecto “Um dia cheirou-me a cravos …”e “À conversa com…”.
Josep Almudéver Mateu, nascido em Marselha, França, em 1919, o último dos 35.000 voluntários das Brigadas Internacionais vivo, que lutou a favor da República e contra o ditador espanhol Francisco Franco, morreu esta semana.
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